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Mesmo com lâmpadas de LED a poluição luminosa continua aumentando de forma alarmante

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Em uma escala global, o mundo ficou consideravelmente mais brilhante nos últimos cinco anos...


Com o avanço da tecnologia e do desenvolvimento, temos também o aumento da poluição. Sim o ar fica pesado, e muitas pessoas têm dificuldades pra respirar, mas não é dessa poluição que estamos falando...

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A poluição luminosa, causada por luzes artificias, principalmente de grandes cidades, faz com que a "escuridão da noite" seja driblada, dando espaço a um mundo colorido, bonito.. seguro... mas muito, muito danoso. Além de nos dar um céu alaranjado, sem estrelas, ela causa algo ainda pior.

Há milhões de anos que a vida na Terra se baseia nos ciclos de luz dia/noite. Temos a hora de dormir e a hora de acordar. Com o excesso de iluminação, os animais passam por muito estresse, ficam doentes e todo o ciclo se altera. Um exemplo disso são as tartarugas marinhas, que estão sendo afetadas por conta da iluminação artificial, pois quando nascem, acabam indo na direção do continente ao invés de ir para o mar. Isso acontece porque seu instinto diz para seguir o brilho da Lua que reflete do oceano (seus ovos eclodem durante a Lua Cheia). Mas se existe muita luz de uma cidade vizinha, por exemplo, essa luz vai chamar a atenção das tartaruguinhas, atraindo-as para a morte.
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Mas diversos pesquisadores e instituições acreditavam ter achado a saída para este grande problema. Os LEDs! Por terem uma luz focada, e mais eficiente, uma quantidade menor de watts é necessária para iluminar um ambiente. E assim o problema estaria acabado! Só que não...



Imagem registrada pelo instrumento VIIRS mostra o aumento da poluição luminosa de
iluminação externa de Doha, Catar. As luzes vermelhas foram acrescentadas entre 2012 e 2015.
Créditos: Kyba et al. / Science Advances


"Honestamente, pensava e esperava que com os LEDs estivéssemos virando o jogo", diz Christopher Kyba, do Centro Alemão de Pesquisa para Geociências. Kyba pesquisa a propagação de luzes artificiais e como isso afeta nossas noites e, como ex-membro do conselho de diretores da International Dark Sky Association, ele também defende o uso de práticas de iluminação melhoradas, mas também mostra que estamos mais longe do objetivo do céu escuro e estrelado do que nunca.


Mais luz, mais brilho

A equipe utilizou o instrumento VIIRS (Visible Infrared Imaging Radiometer Suite) do satélite meteorológico Suomi National Polar-Orbiting Partnership, para medir a mudança nas emissões globais de luz entre outubro de 2012 e outubro de 2016. O instrumento VIIRS é o primeiro radiômetro de satélite calibrado e projetado para medir as luzes noturnas.



As duas imagens mostram a transição da iluminação pública de Milão (Itália)
das luzes de sódio (esquerda, em 2012) para as luzes de LED (direita, em 2015).
Créditos: International Dark-Sky Association / NASA


Cada pixel registrado pelo VIIRS cobre meio quilômetro quadrado, o que é uma resolução excelente se comparada com as anteriores. Mas as descobertas dos pesquisadores não foram nada boas: as noites na Terra estão ficando cada vez mais claras.

Entre 2012 e 2016, a área exterior artificialmente iluminada em nosso planeta cresceu 9,1% - um aumento anual de aproximadamente 2,2%. Além disso, as áreas já iluminadas também ficaram mais brilhantes em 2,2% ao ano.

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Alguns poucos países mostraram uma diminuição da iluminação, sobretudo aqueles devastados pelas guerras recentes, como Síria e Iêmen. Alguns países "super brilhantes" permaneceram estáveis (Itália, Espanha, Estados Unidos...)

Com raríssimas exceções, todos os países da Ásia, África e América do Sul se tornaram muito mais brilhantes, e estão emitindo mais luz do que há cinco anos.



Mapa mundi mostra o aumento da iluminação e poluição luminosa de cada país (esquerda)
e a poluição luminosa em escala global (direita).
Cores mais quentes representam mais poluição luminosa.
Créditos: Kyba et al. / Science Advances


O mais preocupante é que a transição das lâmpadas antigas, como as de sódio, para o LED, não está tendo o efeito esperado em uma escala global. "Embora saibamos que os LEDs economizam energia, como por exemplo, quando uma cidade muda toda sua iluminação pública para LED, quando olhamos os dados a nível nacional e global, vemos que essa tênue economia está sendo sobrepujada por luzes novas e brilhantes em outros lugares", diz Kyba.


A eletricidade traz luz para lugares em horários inadequados, e muitos organismos não têm chance de se adaptar. Seus ciclos de luz natural são fundamentalmente interrompidos. Cerca de 30% dos vertebrados e mais de 60% dos invertebrados em nosso planeta são noturnos, mas a luz artificial ao ar livre também afeta plantas e micro-organismos, e os cientistas estão começando a entender os efeitos nocivos que também atingem os seres-humanos... Uma matéria publicada pelo site Curto e Curioso nos revela como a luz altera o comportamento de diversos animais.


Iluminação pública: as fases

Em meados do século 19, muitas cidades eram iluminadas por lampiões a gás, mas apenas os grandes centros tinham essa mordomia, já que o ascendimento era manual. Em seguida, por volta de 1880 as lâmpadas incandescentes já eram uma realidade, e iluminavam uma grande parte das cidades. Há cerca de 60 anos surgiram as lâmpadas de Mercúrio, mais brancas se comparadas com as incandescentes. E recentemente, as lâmpadas de sódio se tornaram as mais usadas no Brasil, por exemplo. Elas são mais eficientes e iluminam mais.



Comparação ilustra a diferença entre o céu de um mesmo ponto de vista com e sem poluição luminosa.
Créditos: Richard Cardial / divulgação


Países mais evoluídos já trocaram, ou estão trocando as lâmpadas de sódio por LEDs, o que ajuda a diminuir a poluição luminosa, mas infelizmente, isso ainda não é uma realidade global. Em contrapartida, os países emergentes estão "ganhando território", e iluminando cada vez mais por conta do aumento populacional.


LEDs azuis, por favor!

A atmosfera dispersa mais facilmente a luz azul do que outros comprimentos de onda visíveis, mas infelizmente, as luzes de LED mais populares são as brancas / ambar. "Uma das grandes vantagens dos LEDs é que é possível ter muitas cores diferentes", insiste Kyba. "As cidades podem comprar lâmpadas que não são brancas".


Kyba e seus colegas estão abertos para trabalhar com cidades, governos e industrias para reverter essa tendência. Segundo Kyba, seu grande sonho é que as ruas sejam suficientemente iluminadas, assim como todas as cidades, mas que a iluminação seja usada de forma eficiente, assim, possamos ver mais estrelas no céu. Um sonho que por enquanto, parece estar longe de se tornar realidade...




Imagens: (capa-divulgação) / International Dark-Sky Association / NASA / Kyba et al. / Science Advances / Richard Cardial / divulgação / Galeria do meteorito
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